Já a partir da década de 50, diversos experimentos de máquina de votar foram submetidos e apreciados pelo Tribunal Superior Eleitoral. O que movia tais iniciativas era a expectativa que a neutralidade das máquinas, que não têm emoções nem ambições, não só tornaria as apurações quase que instantâneas, mas também diminuiria o volume de fraudes.
Com o enfoque da inserção de novas tecnologias para aprimorar o sistema eleitoral brasileiro, a Justiça Eleitoral em 1981 submeteu à Presidência da República anteprojeto versando sobre o uso de processamento eletrônico de dados nos serviços eleitorais, aprovada por em lei em 1982. No mesmo processo evolutivo, em 1985, nova lei foi aprovada, dessa feita versando sobre a implantação do processamento eletrônico de dados no alistamento eleitoral e na revisão do eleitorado, que resultou no recadastramento de 69,3 milhões de eleitores, a quem foram conferidos novos títulos eleitorais, agora com numeração unificada em âmbito nacional.
No início da década de 90, o TRE/SC desenvolveu um sistema de captação de voto, por meio de computadores, que foi usado nas votações de plebiscitos eleitorais – de maneira oficial e sem uso de cédula impressa, mesmo como contingência – para emancipações de distritos em 1991, com o intuito de serem alçados à categoria de municípios. Essa bem sucedida experiência catarinense foi repetida por diversas vezes, sendo difundida por 14 unidades da federação até 1995, de maneira oficial.
No 2º turno das Eleições de 1994, em 5 seções eleitorais de Florianópolis, capital de Santa Catarina, seus eleitores votaram em computadores, em um sistema concebido pelo TRE/SC, como evolução daqueles até então utilizados. Também em 1995, foi realizada a primeira experiência em uma eleição majoritária (prefeito/vice-prefeito) em Xaxim/SC – abrangendo todo o seu eleitorado –, a qual se transforma em um marco do uso de equipamento de informática no processo de votação.
Desta forma, a urna eletrônica hoje conhecida, inicialmente chamada de coletor eletrônico de voto (CEV), é o resultado de vários estudos gradativos da Justiça Eleitoral, que teve como objetivo identificar as alternativas para a automação do processo de votação e definir as características e medidas necessárias à sua implementação nas eleições de 1996 e subseqüentes.
Como resultado, a urna com as características atuais começou a ser implantada no ano de 1996 nas capitais e nos municípios com mais de 200 mil eleitores, refletindo 57 municípios brasileiros. Em Santa Catarina ocorreram eleições informatizadas nos municípios de Florianópolis, Joinville e Brusque. Naquele ano, um total de 32.488.153 eleitores votaram em urnas eletrônicas, sendo 1.390.313 eleitores em Santa Catarina.
No pleito de 1998, 537 municípios (eleitorado superior a 40.600), totalizando 61.111.922 eleitores, votaram pelo sistema eletrônico, em 166.937 urnas. Em Santa Catarina, foram 13 municípios e 4.462 equipamentos.
O progressivo desenvolvimento do voto informatizado atingiu seu ápice nas eleições municipais de 1º de outubro de 2000, quando o processo foi estendido, com sucesso, a todos os municípios do Brasil, quando 100% do eleitorado valeu-se da urna eletrônica para a votação, em 353.737 equipamentos. A partir daí, todas as eleições subseqüentes foram realizadas usando o atual método informatizado.
Para as eleições de 2002, a Justiça Eleitoral brasileira contou com 406.746 urnas. Nessa eleição, foi testado - por iniciativa da Justiça Eleitoral - o sistema de voto impresso (que permitia a visualização da opção dos votos do eleitor, antes da sua confirmação) em todo o Distrito Federal, Sergipe e em municípios distribuídos pelo país, num total de 149 cidades além do DF, abrangendo 7.128.233 eleitores, o que correspondia a 6,18% do eleitorado brasileiro. Em Santa Catarina, o TRE/SC contava com 15.652 urnas. Dessas, 1.310 dotadas de módulo impressor externo (MIE) e destinadas ao teste do voto impresso nas cidades de Brusque, Laguna e Balneário Camboriú.
Nas eleições municipais de 2004, o quantitativo de urnas no Brasil aumentou para aproximadamente 482 mil e Santa Catarina recebeu 1.186 urnas modelo 2004, totalizando 16.838. Destas, 15.114 foram preparadas e remetidas aos cartórios eleitorais para atender a 3.996.828 eleitores distribuídos em 13.602 seções.
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